Páginas

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Um Herói



Me lembro perfeitamente do meu avô me levando para a escola. Eu tinha aproximadamente 6 anos, nós caminhávamos pela rua de mãos dadas, ora sim, ora não ele se irritava com o barulho dos lápis chacoalhando no estojo de latinha dentro da mochila .
Ele Cumprimentava todos pelo caminho, e eu sempre me perguntava se ele realmente conhecia tantas pessoas, no meu universo pequeno, aquilo era muita gente .
Nós sempre andávamos pela rua, para evitar o sobe e desce das calçadas altas do nosso bairro, e ele sempre me colocava do lado mais próximo da calçada . Certa vez eu perguntei porque a gente sempre andava daquela forma, ele me disse que era para a minha segurança, caso um carro viesse desgovernado eu não seria atingida primeiro. Eu achava aquilo um ato tão heroico, ele seria capaz de se machucar no meu lugar para me proteger.
Certa vez meu avô foi internado com problemas cardíacos e quando ele voltou pra casa fiquei muito feliz por tê-lo de volta e por me levar na escola, só que agora eu não queria mais que ele andasse daquele lado da rua, até sugeria irmos os dois pela calçada, saber que isso poderia tirá-lo de mim era doloroso.
Ele faleceu em breve e eu nem soube muito bem o que aconteceu, nunca me disseram nada direito, apenas fui a um velório lotado onde pude ver que, realmente ele conhecia todas aquelas pessoas. Pelo menos eu me sinto mais aliviada, não foi um carro desgovernado que tirou a sua vida, prefiro achar que o seu coração era pequeno demais pra guardar tanto amor, e por isso parou de bater.