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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Mulheres-corpo e mulheres-pessoa



Numa dessas noites, o Vermelho Papadimitru disse uma frase que ficou vivamente gravada na mente do Cigano."Existem mulheres", explicou o marinheiro, "que são corpos e outras que são pessoas." Alguém lhe disse que tal distinção era pueril: de um modo ou de outro toda mulher era ao mesmo tempo corpo e pessoa.Sob o poderoso efeito de uma garrafa de uísque, o Vermelho esclareceu:"É o seguinte ,há mulheres com as quais você se deita e zás, acabou-se, passam como se nada fosse, você as esquece na manhã seguinte, eu chamo de mulheres-corpo. Mas há outras com quem você pode se deitar a vida inteira e nunca termina de fazer amor com elas. São caixinhas de surpresa a cada minuto de sua vida. Essas são mulheres pessoa. Aquelas você descarta e xô, não quer mais saber delas. Mas as outras são as que ficam dentro de você, por mais que queira tirá-las da cabeça.
As afirmações do Vermelho causaram resmungos, aplausos e xingamentos. Acusaram-no de grosso, ignorante, convencido, veado.Aquela arenga do Vermelho não tinha sido uma mera fanfarronada de macho, mas a tosca reflexão de um homem que, evidentemente apaixonado, buscava a forma de distinguir de todas as outras a mulher amada.
(Guillermo Arriaga ,Trecho do livro Um doce aroma de morte)

Maravilhoso este livro que acabo de ler, apesar de o final não ser o esperado, faz refletir a cerca do caráter das pessoas e das tradições populares além de ter mistério numa trama muito envolvente . Recomendadíssimo