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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dormir com o namorado na casa dos pais


A mãe vira-se para filha adolescente e comenta:
— Minha filha, as vizinhas andam dizendo que você está indo pra cama com o seu namorado, é verdade?
— Imagina, mãe! Essas mulheres são umas fofoqueiras, isto sim! Só por que a gente vai pra cama com um fulano qualquer, já começam a dizer que é namorado!
As coisas mudaram muito nos últimos 60 anos .
Uma parte significativa dos teens de hoje dorme com o namorado ou a namorada... na casa dos pais. Ou na casa do sogrão. Isso mesmo: 23% dos adolescentes já fizeram sexo no quarto onde dormem. Isso significa que uma em cada quatro famílias brasileiras pode estar se acostumando à idéia de colocar uma xícara extra para o namorado da filha – ou a namorada do filho – na hora do café da manhã. Há até casos de pais que incentivam esse contato, digamos assim, doméstico. A representante comercial Nádia Dombkowitsch, de Porto Alegre, que é divorciada, chegou a presentear a filha Paula, de 18 anos, com uma cama de casal no dia em que a moça recebeu o diploma do ensino médio.Há duas interpretações possíveis para o fato. A primeira, mais romântica, é que a geração "sexo, drogas e rock'n'roll" está levando a teoria à prática. Gritos e sussurros no quarto ao lado seriam impensáveis para os que tinham filhos adolescentes em casa nos anos 50. Para a turma que hoje tem 40 anos, essa idéia não é tão assustadora. A segunda explicação tem a ver com a preocupação com a segurança. Os pais aceitam que os filhos façam sexo em casa porque estacionar o carro numa rua deserta é perigosíssimo, e ir à noite até um motel distante também pode ser arriscado. Alguns pais permitem esse tipo de coisa, mesmo discordando, apenas para não parecer caretas. Os pais avançaram muito nesse campo pelo simples fato de debater o tabu. O verdadeiro desafio, no entanto, continua: é preciso que pais e filhos falem sobre sexo. "Há gente que deixa que os filhos façam sexo em casa, mas não dá nenhum tipo de orientação sobre o assunto, como usar camisinha, por exemplo", diz a psicoterapeuta paulista Lídia Aratangy. "É pura e simplesmente por preguiça de tratar do tema." O que você acha do assunto ?